Cinco anos depois, ONU continua sem superar divisões sobre o Iraque

19/03/2008 – 07h34

Joaquin Utset Nações Unidas, 19 mar (EFE).- A ONU chega à marca dos cinco anos do início da Guerra do Iraque, nesta quinta-feira (20, em Bagdá), sem ter superado totalmente as profundas divisões que atingiram seu Conselho de Segurança (CS) nos meses anteriores ao conflito e buscando recuperar seu papel de fórum indispensável para a comunidade internacional.

Os ferimentos causados no seio da organização, devido à crise iraquiana, foram sendo sanados à medida que a Casa Branca reconheceu a necessidade de um maior envolvimento internacional na solução do conflito e reparou sua relação com os outros membros do CS.

As Nações Unidas têm aumentado paulatinamente, desde 1997, sua presença no Iraque, a fim de assistir a Bagdá com sua experiência técnica e poder obter um acordo de reconciliação nacional que ponha fim aos enfrentamentos entre as comunidades que dão forma ao país.

A invasão lançada pelos Estados Unidos e seus aliados sem a autorização das Nações Unidas deixou profundas seqüelas dentro da organização, que se negou a legitimar a operação militar contra o regime de Saddam Hussein.

A comoção causada na sede da ONU pela ação unilateral do Pentágono se viu multiplicada pelo horror do atentado de 19 de agosto de 2003 contra a sede da organização em Bagdá, e que vitimou fatalmente o brasileiro Sérgio Vieira de Mello – enviado especial das Nações Unidas para o Iraque -, além de outras 21 pessoas.

Poucos meses depois, o então secretário-geral Kofi Annan ordenou a evacuação de praticamente todo seu pessoal do Iraque.

A retirada parecia confirmar que a ONU tinha ficado relegada a um segundo plano no maior conflito do recém-iniciado século XXI, e colocava em xeque sua utilidade como principal fórum da comunidade internacional.

Cinco anos depois, o panorama é muito diferente, com a Casa Branca interessada na ajuda da ONU para canalizar uma solução política ao conflito, reconhecendo de forma implícita sua dificuldade em atuar unilateralmente.

O embaixador do Chile na ONU, Heraldo Muñoz, cujo país estava no CS quando a invasão teve início e se opôs a ela, assegurou que o conflito supôs “um enorme custo para o multilateralismo e para os EUA”.

O diplomata, em declarações à Agência Efe, considerou que “a lição” a ser tirada dessa guerra é a de que “até o país mais poderoso da Terra necessita do beneplácito das Nações Unidas e não pode atuar fora da comunidade internacional”.

“Os Estados Unidos tiveram que voltar à ONU”, comentou o embaixador, que publicou um livro sobre sua experiência nessa etapa.

“Guerra Solitária” (tradução livre) será lançado agora em inglês.

“As feridas foram sendo curadas com o tempo”, continuou, “porque há outros assuntos que uniram o Conselho de Segurança, como o Líbano, mas ainda há resquícios de desconfiança”.

Como prova, os dois principais protagonistas do enfrentamento diplomático prévio à invasão, EUA e França, no último ano “jogaram ao lado” do CS em assuntos tão sensíveis como o futuro do Kosovo, as sanções ao programa nuclear do Irã, o Afeganistão ou o envio de uma missão de paz à região sudanesa de Darfur.

Ao mesmo tempo, o substituto de Annan na organização, o sul-coreano Ban Ki-moon, se mostrou desde sua chegada ao cargo, em janeiro de 2007, disposto a aumentar o papel da ONU no Iraque, atendendo a uma solicitação da Casa Branca.

O CS aprovou por unanimidade em 10 de agosto último a resolução 1.770, que amplia a presença das Nações Unidas no Iraque para favorecer o diálogo político regional, a reconciliação nacional e enfrentar a crise humanitária vivida no país árabe.

No entanto, o nível de violência e as preocupações com relação à segurança seguem limitando a presença de empregados da organização na capital iraquiana.

“O multilateralismo está de volta”, declarou Ban na abertura dos debates da 62ª Assembléia Geral da ONU, em setembro passado.

O ex-ministro de Assuntos Exteriores sul-coreano assegurou que “um mundo cada vez mais interdependente reconhece que a ONU é o melhor meio, na realidade o único, para se enfrentar os desafios do futuro”.

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